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terça-feira, 8 de outubro de 2019

Feminismo nas redes sociais

As redes sociais como um todo têm muito potencial quando se trata de disseminação de informação e elas têm sido usadas com frequência como ferramenta de conscientização e rede de apoio para as mulheres. Desde 2014, campanhas e iniciativas on-line têm ganhado cada vez mais força através de redes como Instagram, Facebook, Twitter e YouTube. O debate sobre assédio sexual, por exemplo, ganhou muita visibilidade no Brasil nos últimos anos com campanhas como #MexeuComUmaMexeuComTodas, #MeuPrimeiroAssédio, #MeuAmigoSecreto, #DeixaElaTrabalhar e muitas outras. A ideia dessas hashtags é que as mulheres possam encorajar umas às outras a exporem histórias de situações de assédio moral, sexual ou abuso - seja em casa, no trabalho, na infância, com amigos ou desconhecidos.

A campanha #MexeuComUmaMexeuComTodas, surgiu a partir da denúncia da figurinista Su Tonani sobre o assédio cometido pelo ator José Mayer. A hashtag #MeuPrimeiroAssédio foi promovida pela ONG Think Olga em reação a comentários de teor sexual postados por espectadores do programa MasterChef Jr sobre uma das participantes, que tinha 12 anos de idade. A hashtag foi mencionada mais de 82 mil vezes em menos de uma semana no Twitter. E A #DeixaElaTrabalhar foi uma iniciativa de jornalistas esportivos contra o machismo e o assédio às profissionais dessa área. O movimento surgiu após casos de assédio contra a repórter do Esporte Interativo Bruna Dealtry e a repórter da Rádio Gaúcha Renata de Medeiros.

O feminismo tem ocupado cada vez mais espaço e o Instagram não seria exceção. Ele é a rede social mais utilizada entre os jovens e, atualmente, é através dele que muitas meninas tem o primeiro contato com o movimento. Lá, a #feminism tem 1.5 milhões de publicações e esse número só cresce.


Blogueiras como Jout Jout (@joutjout), Ellora Haonne (@ellorahaonne) e Luiza Junqueira (@luizajunquerida) falam muito sobre feminismo em suas redes e o Instagram transmite uma sensação de aproximação por parecer que elas estão falando diretamente com quem assiste aos stories e IGTVs. Cada uma tem o seu jeito de falar: Jout Jout prefere trabalhar com mais tempo e espaço para divagar em seus próprios pensamentos e, de certa maneira, os seus vídeos no Youtube parecem um bate-papo e dão a impressão de que quem a escuta faz parte de uma conversa; Ellora também gosta muito de falar, de um jeito muito cru e natural, sobre a sua existência feminina, mas ela divide muito mais o seu dia a dia no Instagram, com os seus seguidores, do que a Jout Jout - são muitos ‘’textões’’, reflexões diárias e divisão de experiências com aqueles que a seguem; já a dona do canal ‘’Tá Querida?’’, a Luiza, trata mais sobre as questões do feminismo relacionadas a corpo e sexualidade, e tenta quebrar tabus como pêlos, corpo gordo e padrões de beleza impostos às mulheres.

Laura de Souza, de 18 anos, conta que aprende muito sobre feminismo no Instagram porque a plataforma possibilita o usuário a ter contato com pessoas diferentes, de lugares e vivências variadas. Para Laura, a diversidade que o Instagram a permite ter contato é o grande diferencial. ‘’Se você lê um livro de alguma autora, como por exemplo a Angela Davis, é legal, mas você acaba tendo só uma visão do feminismo. Esse é o legal do Instagram. Eu posso seguir páginas de informação e notícias, tipo @arquivosfeministas e @quebrandootabu, e também blogueiras e mulheres de várias profissões diferentes que sempre falam sobre isso, cada uma de um lugar, com histórias diferentes. Eu, por exemplo, adoro a Luisa Moraleida (@luisamoraleida) e a Alexandra Gurgel (@alexandrismos).’’, diz Laura.

As duas blogueiras citadas por Laura, Luisa Moraleida e Alexandra Gurgel, são exemplos dessa diversidade proporcionada pelo Instagram. Luisa é formada em jornalismo e suas narrativas são mais crônicas e poéticas. A mineira fala muito sobre viagens, sentimentos e liberdade e está sempre viajando para algum lugar diferente. Já Alexandra mora em São Paulo e faz parte de um movimento Body Positive chamado Toda Grandona (@todagrandona), que defende a bandeira do empoderamento do corpo gordo e a liberdade de vestir o que quiser. Alexandra tem uma fala um pouco mais pragmática e menos poética do que Luisa, mas tem uma maneira leve e divertida de tratar sobre temas sérios como, por exemplo, a LGBTQ+fobia.

Páginas como Agora é Que São Elas (@agoraequesaoelas_), Quebrando o Tabu (@quebrandootabu), Feminiismo (@feminiismo), Arquivos Feministas (@arquivosfeministas) e muitas outras têm uma proposta de disseminação de informação sobre o movimento feminista e outros assuntos que o atravessam. Esses perfis publicam notícias, dados, estatísticas, dicas de leitura, críticas e até memes sobre esse tema. Os perfis da ONU Mulheres Brasil ( @onumulheresbr) e da Gênero e Número (@generonumero) são grandes exemplos de fonte de dados no Instagram. A Gênero e Número utiliza muitos gráficos e mostra as estatísticas de forma muito didática e democrática, bem fáceis de entender. O perfil da ONU Mulheres faz posts sobre eventos que se relacionam ao assunto de igualdade de gênero, apresenta dados sobre esse tema e apresenta um panorama geral sobre as diferentes situações de gênero ao redor do mundo. Vale a pena seguir.

A professora de inglês Eunice Torres, de 57 anos, conta que percebeu um aumento muito grande do debate sobre igualdade de gênero e feminismo após o boom das redes sociais. Ela diz que esses temas surgem facilmente durante as aulas e que as alunas sempre falam de blogueiras e influenciadoras que lançaram alguma campanha ou se posicionaram sobre algum caso específico. ‘’Tenho ouvido falar muito mais sobre feminismo nesses últimos anos. Primeiro via algumas coisas no YouTube e depois, quando eu comecei a usar o Instagram, vi muito mais. Acho que a primeira vez que eu ouvi falar sobre feminismo foi uns 20 anos atrás, provavelmente em alguma revista ou na TV, porque era assim que ficávamos sabendo das coisas, né? Nunca li nenhum livro especificamente sobre feminismo, mas acho imprescindível a gente falar cada vez mais sobre esse assunto. Vejo que as minhas filhas e as minhas alunas têm muito mais contato com o feminismo do que eu tinha na idade delas.’’, conta Eunice.

No vídeo abaixo, do canal da GNT no YouTube, as meninas mostram algumas mulheres que estão saindo da zona de conforto e movendo barreiras para mudar o cenário machista em que vivemos. Elas viajam o Brasil e encontram exemplos de ativistas incríveis, que mostram a importância de lutar por aquilo que se acredita.



28 comentários:

  1. Muito legal falar sobre isso. Adorei.

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  2. Muito legal falar sobre isso. Adorei.

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  3. Mulheres cada vez mais empoeiradas e usando sabiamente a internet a nosso favor.

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  4. Lembro de um vídeo que uma mulher gritava para todos que estava sendo ameaçada e dias depois ela foi morta pelo marido. Acho que as redes sociais facilitam o pedido de ajuda, o único problema é a ideia de que em briga de marido e mulher não se mete a colher. Mas observo muitos perfis que ajudam mulheres a sair em desses relacionamentos abusivos. Um deles se chama "Rosas de Ouro" e acho que "Ninguém deveria realmente soltar a mão de ninguém. Unidas somos mais fortes! Parabéns pelo excelente texto...você arrasa

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  5. A iniciativa da divulgação do feminismo nas redes sociais é extremamente positiva, pois é uma forma acessível de compartilhamento de experiências que promovem as identificações entre os diálogos e consequentemente ampliam as articulações entre as mulheres contribuindo para o fortalecimento das nossas relações.

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  6. Devemos repensar o papel da mulher na sociedade e como disseminadora de valores machistas. Muitos desses pensamentos são replicados pelas próprias mulheres. É aí que mora o perigo! A mudança deve ser sempre de dentro para fora.

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  7. Estou completamente de acordo com tudo o que você disse! Meus parabéns!

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  8. Muito bom. Os meios de comunicação nos ajudam muito. Uma pena que às vezes também prejudicam,quando são usados para comentários maldosos,depreciativos e preconceituosos.

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  9. Falar de feminismo hoje é uma forma de dizer " nós mulheres existimos, não como donas de casa e mãe, mas também como profissionais das mais diversas áreas". Excelente você levantar esse assunto, que está em alta nas redes sociais, mas que diariamente luta para não ser engolido pelo machismo, em especial aquele machismo vindo de mulheres submissas e amendrontadas que não tiveram a chance de conhecer a liberdade de pensamento. Gy parabéns, como eu fico feliz em saber que escreve sobre o assunto! 😘

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  10. Que trabalho lindo e importante você está fazendo! As redes sociais mudaram a sociedade, é muito interessante ver como ela afeta o feminismo e o feminino. Além disso, obrigada pelas referências de instagram bons!!

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  11. Muito bom o texto! Ótimo disseminar que redes sociais não servem só pra propagar estilos de vida quase inalcançáveis e corpos/rostos de boneca, mas também é informação e aceitação da diversidade do mundo

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  12. trabalho maravilhoso temos que mostrar o nosso trabalho

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  13. trabalho maravilhoso temos que mostrar o nosso trabalho

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  14. Parabéns pela iniciativa,é uma maneira de fortalecer o papel da mulher naa sociedade. Avancamos muito sim, mas ainda sofremos o preconceito, nos defrontamos com posturas machistas que inferiorizam a mulher. As redes sociais são formas de dar visibilidade. Continue escrevendo!

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  15. Incrivel o texto o assunto tão importante, e muito bonito

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  16. ����������������

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  17. Os canais do youtube e os grupos do facebook me ensinaram muitas coisas e me fizeram enxergar muitas outras de forma diferente, me ajudaram muito a ser uma pessoa melhor

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  18. O fiminismo hoje em dia , graças a Deus está sendo mais forte, por que estamos falando mais, nos apoiando ainda mais e tbm nos somos seres humanos e queremos respeito, amor e liberdade ! Temos que ir ainda mais juntas para acabarmos com a violência contra a mulher.. por que respeito acima de tudo!!!

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  19. Amei o texto e as indicações!!!! Muito bom!

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  20. Sou filha de conservadores que não aceitam o feminismo, sempre segui o que eles diziam por achar que era o certo. Hoje depois de estudar sobre isso, me arrependo de nao ter feito parte do movimento antes.

    #feminismo ✊❤

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  21. Achei a matéria óltima o fiminismo tem ganhado gdre espaço nas redes sociais juntas vamos vencer

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  22. Muito bom, acredite mulheres Unidas vence o Machismo, #Respeito.

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